domingo, 16 de junho de 2013

Vislumbre

     Pureza lapidada no âmago oculto de uma nuvem transparente. Será sua sina, doce meretriz marmórea, comerciar andrajos com os sentinelas noturnos? A vida, vaga caminhada esgotada.
     O esgoto fulgurante cospe poesia-latrina na face suja dos curiosos maltrapilhos. O caminho cerrado, secreto e orvalhado. Hortênsias multicoloridas cercando pedras. É noutro lugar.

Abismando

O vão da noite
Devora
Vendavais, ventos e veleidades.
Doravante deglutirá também
o sonho morno adormecendo na relva.
Selva dos impossíveis
onde o desejo se desfaz em tempestade
chove intempéries sobre nós.

O indizível mansamente
assassinou o silêncio, mas a obrigação
do grito
fez-se gemido e calou.
[re] volta!


quinta-feira, 14 de junho de 2012

Aurora consurgens

Uma aurora impossível
Amanhece dentro de mim
O coração arrebenta
Com a força de mil sóis
O corpo, partícula flamejante
Faísca
Ofusca o ocaso do mundo


Este é meu último alvorecer
Despeço-me da vida
Como quem se despede do amor
Traço uma rota ignota 
Rumo ao céu dos esquecidos

domingo, 10 de junho de 2012

Tempestade de areia


Encontro o deserto
Tão seco
E só

Desamparado e sedento
Te encontro no desejo
  
Encontre o deserto
Tão seco
E só

Somente solitário
Poderá pensar
Sondando a solidão
Sentirá
Saudade

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O porto

Meu lindo
Meu leito
Meu ninho desfeito

No peito aberto
Flor do deserto

sábado, 3 de dezembro de 2011

Íntimos temores


Escondo o desejo
Escolho entre os beijos
A boca mais vazia

Recolho cada toque
Abarco nos abraços
O medo de fugir

Seguro suas mãos
Sentindo pelos dedos
O passado escorrer

Guardo no olhar
Ardendo as pálpebras
Cansada de fingir




Imagem: 'Grey daisy', Marilyn Manson